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Inovação científica no combate à obesidadePorquê investir?02-06-2023  15:42
  • investimento

Os problemas de saúde relacionados com a obesidade foram responsáveis por mais de 5 milhões de mortes a nível mundial em 2019. O aumento da prevalência da obesidade acarreta consequências, tanto ao nível da saúde, como a nível económico sendo que, este último, não tem sido devidamente explorado. Segundo a World Obesity Federation, é esperado que em 2030 uma em cada cinco mulheres e um em cada sete homens viverão com obesidade, isto é, um body mass índex (BMI) de 30 ou mais kg/m2, perfazendo cerca de mil milhões de pessoas a nível global.

De acordo com a mesma fonte, sem qualquer tipo de intervenção, o impacto socioeconómico do excesso de peso e da obesidade será substancial. Tendo em conta o aumento do nível populacional, bem como das distribuições de faixa etária, prevê-se que os custos globais com o excesso de peso e obesidade aumentem para mais de 3 mil milhões de dólares em 2030 e mais de 18 mil milhões de dólares até 2060. Este aumento de custos afetará especialmente países do grupo de rendimento médio-superior, tal como podemos observar pela Figura 1.


Figura 1 – Estimativa dos custos económicos entre 2020 e 2060 por grupo de rendimento


Fonte: World Obesity Federation



Tendo em conta as tendências actuais, isto é, alterações na dimensão da população, dos custos de cuidados de saúde, bem como da solidez do sistema de saúde; dos custos prováveis da perda de produção, tendo em conta as estruturas salariais; e as taxas de emprego previstas para os diferentes grupos da população, prevê-se que em 2060 a grande maioria dos países tenha níveis de prevalência de excesso de peso e obesidade acima de 70% em toda a população (incluindo crianças).

Estes custos económicos incluem tanto os custos directos, decompostos por custos de cuidados médicos e sociais, bem como custos indirectos, onde se incluem custos decorrentes de problemas de saúde e morte, resultantes de doenças crónicas relacionados com a obesidade e a consequente perda de produtividade económica. Tal como a Figura 2 indica, custos indirectos ou "invisíveis" para a economia são significativamente mais elevados do que os custos directos ou "visíveis".


Figura 2 – Repartição dos custos económicos da obesidade em custos diretos e indiretos


Fonte: World Obesity Federation



Estes custos para as economias globais, em 2020, variaram entre mais de 1% do PIB nos países do continente africano e mais de 3% do PIB nos países do continente americano. Até 2060, prevê-se que estes custos aumentem consideravelmente, variando entre mais de 2% do PIB nos países da região africana, mais de 4% do PIB nos países do continente americano e mais de 5% do PIB nos países do Médio Oriente. Prevê-se que, em 2060, no total dos 161 países em foco, os custos económicos do excesso de peso e da obesidade excedam 3% do PIB mundial. Estes mesmos países poderiam poupar significativamente se as principais causas do aumento da prevalência do excesso de peso e da obesidade fossem atacadas.

Um cenário de abrandamento do aumento da prevalência do excesso de peso (e.g. uma redução de 5%), proporcionaria uma poupança anual média de cerca de 7% ou cerca de 430 mil milhões de dólares a nível global até 2060. Num segundo cenário, travar o aumento do excesso de peso e prevalência da obesidade aos níveis de 2019 até 2060, proporcionaria uma poupança anual de 23% em média, ou cerca de 2,2 triliões de dólares a nível global até 2060.

Como é possível observar pela Figura 3, em 2060 a China será o país, a nível global, com mais custos económicos do excesso de peso e da obesidade num total de cerca de 10,1 triliões de dólares, o que representa cerca de 3,1% do PIB. Dos países seleccionados, os EUA aparecem em segundo lugar com 2,6 triliões de dólares correspondente a cerca de 4,6% do PIB. Destaque ainda para a Arábia Saudita, com estes custos a representarem cerca de 5,6% do PIB no ano de 2060.



Figura 3 – Países cujos custos económicos do excesso de peso e da obesidade deverão exceder 100 mil milhões de dólares em 2060


Fonte: World Obesity Federation



Dinâmica de Mercado

Os medicamentos para perda de peso tornaram-se um tema quente, numa altura em que as autoridades de saúde e as farmacêuticas procuram encontrar soluções para a crescente epidemia de obesidade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as taxas de obesidade mundial quase triplicaram na última década e, actualmente, estima-se que mil milhões de pessoas são clinicamente obesas, das quais cerca de 650 milhões são adultos, 340 milhões adolescentes e 39 milhões crianças.

A indústria de medicamentos para perda de peso, que recentemente tem despertado o apetite dos investidores com a promessa de combater as preocupantes taxas de obesidade globais poderá, segundo o Barclays, valer até 200 mil milhões de dólares na próxima década, com contribuição de cerca de 60% dos Estados Unidos, 26% da União Europeia e 16% RoW (tal como ilustrado na Figura 4). Este crescimento global é maioritariamente impulsionado por (Figura 5):

(1) Vendas globais da Wegovy (Novo Nordisk) a aumentarem de $0.9bn em 2022 para $14bn em 2028;
(2) Vendas globais de Mounjaro (Eli Lily) a aumentarem de $280mm em 2024, inicio esperado de comercialização, para $7.5bn em 2028;
(3) Vendas globais de CagriSema, Novo Nordisk, a aumentarem de $481mm em 2025, inicio esperado de comercialização, para $17bn.

Mais conservadores, os Bancos de Investimento Citi e Morgan Stanley avaliam a indústria entre os 50 e 55 mil milhões de dólares, em 2030.



Figura 4 – Divisão das receitas por fármacos


Barclays Research



Figura 5 – Divisão das receitas por região


Barclays Research



As farmacêuticas Novo Nordisk e Eli Lily estão entre as que mais chamaram a atenção por combaterem a obesidade e excesso de peso com os seus medicamentos para perda de peso. O desenvolvimento e comercialização do Wegovy da Novo Nordisk acelerou uma mudança de percepção da obesidade como uma condição médica real, numa altura em que se entende existirem agentes terapêuticos eficazes. Segundo o Barclays, a maior fatia dos benefícios reverterá a favor dos dois primeiros líderes: Novo Nordisk e Eli Lilly. A Figura 6 ilustra essa mesma previsão até ao ano de 2028, com dominância clara da farmacêutica dinamarquesa.




Figura 6 – Quota de mercado por fármaco em % vendas


Barclays Research




Como investir?

Invista nesta tendência através das seguintes alternativas selecionadas:


Invest Tendências Globais
Trend Saúde
Trend Vida Saudável
Trend Biotech


Redigido por:
Gonçalo Ormonde
Invest Gestão de Activos
2023

  • 2
    28
    [jp]05h00: Coincident e Leading Index (Dez)
    [eu]10h00: Indicadores de Confiança (Fev)
    [pt]11h00: Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores (Fev)
    [us]13h30: PIB (4. Tri)
    [us]13h30: Consumo Pessoal (4.º Tri)
    [us]13h30: Índice Core PCE (4.º Tri)
    [us]13h30: Inventários de Grossistas e Retalhistas (Jan)
    [us]15h30: Inventários Semanais de Crude 
    • Discursos de vários membros da Fed: Bostic (17h00), Collins (17h15) e Williams (17h45)
    [jp]23h50: Produção Industrial (Jan)
    [jp]23h50: Vendas a Retalho (Jan)
    [pt]Resultados Empresariais: EDP Renováveis
    [eu]Resultados Empresariais: Ageas (06h30), Amadeus (AA), Endesa (08h00), Red Electrica, Merlin Properties (DF)
    [us]Resultados Empresariais: Advance Auto Parts (AA), Baidu (AA), Uniper (AA), HP (DF), Salesforce (DF),  Monster Beverage (DF)
     
  • 2
    29
    [jp]05h00: Casas em início de Construção (Jan)
    [fr]06h30: Salários do sector privado (4.º Tri)
    [fr]07h45: Inflação (Fev)
    [fr]07h45: PIB (4.º Tri)
    [fr]07h45: Índice de Preços ao Produtor (Jan)
    [fr]07h45: Despesas dos Consumidores (Jan)
    [es]08h00: Inflação (Fev)
    [de]08h55: Desemprego (Fev)
    [uk]09h30: Oferta Monetária (Jan)
    [pt]11h00: Inflação (Fev)
    [pt]11h00: PIB (4.º Tri)
    [de]13h00: Inflação (Fev)
    [us]13h30: Rendimentos e Despesas Pessoais (Jan)
    [us]13h30: Índice PCE Deflator (Jan)
    [us]13h30: Pedidos Semanais de Subsídios de Desemprego 
    [us]14h45: Índice PMI Chicago (Fev)
    [us]15h00: Vendas de Casas Pendentes (Jan)
    [us]Discursos de vários membros da Fed: Bostic (15h50), Goolsbee (16h00) e Mester (18h15)
    [jp]23h30: Taxa de Desemprego (Jan)
    [pt]Resultados Empresariais: EDP
    [eu]Resultados Empresariais: Adecco (AA), Air France (AA), Schroders (AA), MAN Group (AA), ACS (DF), Saint Gobain (DF)
    [us]Resultados Empresariais: Best Buy (AA), Autodesk (DF), Hewlett Packard (DF)
     
  • 3
    1
    [mundo]Índice PMI (Fev): Japão (00h30), China (01h30), Espanha (08h15), França (08h50), Alemanha (08h55), Zona Euro (09h00), Reino Unido (09h30) e EUA (14h45)
    [jp]05h00: Índice Confiança Consumidor Japão (Fev)
    [eu]10h00: Inflação (Fev)
    [eu]10h00: Taxa de Desemprego (Fev)
    [eu]10h00: Discurso de Holzmann, membro do BCE
    [pt]11h00: Vendas a Retalho (Jan)
    [pt]11h00: Produção Industrial (Jan)
    [us]15h00: Gastos de Construção (Jan)
    [us]15h00: Índice de Confiança da Universidade de Michigan (Fev)
    [us]15h00: Índice ISM (Fev)
    [us]Discursos de vários membros da Fed: Williams (01h10), Bostic (17h15) e Daly (18h30)
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Inovação científica no combate à obesidade

jun 2, 2023, 15:42 by DSI Rita Neves
Porquê investir?

Os problemas de saúde relacionados com a obesidade foram responsáveis por mais de 5 milhões de mortes a nível mundial em 2019. O aumento da prevalência da obesidade acarreta consequências, tanto ao nível da saúde, como a nível económico sendo que, este último, não tem sido devidamente explorado. Segundo a World Obesity Federation, é esperado que em 2030 uma em cada cinco mulheres e um em cada sete homens viverão com obesidade, isto é, um body mass índex (BMI) de 30 ou mais kg/m2, perfazendo cerca de mil milhões de pessoas a nível global.

De acordo com a mesma fonte, sem qualquer tipo de intervenção, o impacto socioeconómico do excesso de peso e da obesidade será substancial. Tendo em conta o aumento do nível populacional, bem como das distribuições de faixa etária, prevê-se que os custos globais com o excesso de peso e obesidade aumentem para mais de 3 mil milhões de dólares em 2030 e mais de 18 mil milhões de dólares até 2060. Este aumento de custos afetará especialmente países do grupo de rendimento médio-superior, tal como podemos observar pela Figura 1.


Figura 1 – Estimativa dos custos económicos entre 2020 e 2060 por grupo de rendimento


Fonte: World Obesity Federation



Tendo em conta as tendências actuais, isto é, alterações na dimensão da população, dos custos de cuidados de saúde, bem como da solidez do sistema de saúde; dos custos prováveis da perda de produção, tendo em conta as estruturas salariais; e as taxas de emprego previstas para os diferentes grupos da população, prevê-se que em 2060 a grande maioria dos países tenha níveis de prevalência de excesso de peso e obesidade acima de 70% em toda a população (incluindo crianças).

Estes custos económicos incluem tanto os custos directos, decompostos por custos de cuidados médicos e sociais, bem como custos indirectos, onde se incluem custos decorrentes de problemas de saúde e morte, resultantes de doenças crónicas relacionados com a obesidade e a consequente perda de produtividade económica. Tal como a Figura 2 indica, custos indirectos ou "invisíveis" para a economia são significativamente mais elevados do que os custos directos ou "visíveis".


Figura 2 – Repartição dos custos económicos da obesidade em custos diretos e indiretos


Fonte: World Obesity Federation



Estes custos para as economias globais, em 2020, variaram entre mais de 1% do PIB nos países do continente africano e mais de 3% do PIB nos países do continente americano. Até 2060, prevê-se que estes custos aumentem consideravelmente, variando entre mais de 2% do PIB nos países da região africana, mais de 4% do PIB nos países do continente americano e mais de 5% do PIB nos países do Médio Oriente. Prevê-se que, em 2060, no total dos 161 países em foco, os custos económicos do excesso de peso e da obesidade excedam 3% do PIB mundial. Estes mesmos países poderiam poupar significativamente se as principais causas do aumento da prevalência do excesso de peso e da obesidade fossem atacadas.

Um cenário de abrandamento do aumento da prevalência do excesso de peso (e.g. uma redução de 5%), proporcionaria uma poupança anual média de cerca de 7% ou cerca de 430 mil milhões de dólares a nível global até 2060. Num segundo cenário, travar o aumento do excesso de peso e prevalência da obesidade aos níveis de 2019 até 2060, proporcionaria uma poupança anual de 23% em média, ou cerca de 2,2 triliões de dólares a nível global até 2060.

Como é possível observar pela Figura 3, em 2060 a China será o país, a nível global, com mais custos económicos do excesso de peso e da obesidade num total de cerca de 10,1 triliões de dólares, o que representa cerca de 3,1% do PIB. Dos países seleccionados, os EUA aparecem em segundo lugar com 2,6 triliões de dólares correspondente a cerca de 4,6% do PIB. Destaque ainda para a Arábia Saudita, com estes custos a representarem cerca de 5,6% do PIB no ano de 2060.



Figura 3 – Países cujos custos económicos do excesso de peso e da obesidade deverão exceder 100 mil milhões de dólares em 2060


Fonte: World Obesity Federation



Dinâmica de Mercado

Os medicamentos para perda de peso tornaram-se um tema quente, numa altura em que as autoridades de saúde e as farmacêuticas procuram encontrar soluções para a crescente epidemia de obesidade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as taxas de obesidade mundial quase triplicaram na última década e, actualmente, estima-se que mil milhões de pessoas são clinicamente obesas, das quais cerca de 650 milhões são adultos, 340 milhões adolescentes e 39 milhões crianças.

A indústria de medicamentos para perda de peso, que recentemente tem despertado o apetite dos investidores com a promessa de combater as preocupantes taxas de obesidade globais poderá, segundo o Barclays, valer até 200 mil milhões de dólares na próxima década, com contribuição de cerca de 60% dos Estados Unidos, 26% da União Europeia e 16% RoW (tal como ilustrado na Figura 4). Este crescimento global é maioritariamente impulsionado por (Figura 5):

(1) Vendas globais da Wegovy (Novo Nordisk) a aumentarem de $0.9bn em 2022 para $14bn em 2028;
(2) Vendas globais de Mounjaro (Eli Lily) a aumentarem de $280mm em 2024, inicio esperado de comercialização, para $7.5bn em 2028;
(3) Vendas globais de CagriSema, Novo Nordisk, a aumentarem de $481mm em 2025, inicio esperado de comercialização, para $17bn.

Mais conservadores, os Bancos de Investimento Citi e Morgan Stanley avaliam a indústria entre os 50 e 55 mil milhões de dólares, em 2030.



Figura 4 – Divisão das receitas por fármacos


Barclays Research



Figura 5 – Divisão das receitas por região


Barclays Research



As farmacêuticas Novo Nordisk e Eli Lily estão entre as que mais chamaram a atenção por combaterem a obesidade e excesso de peso com os seus medicamentos para perda de peso. O desenvolvimento e comercialização do Wegovy da Novo Nordisk acelerou uma mudança de percepção da obesidade como uma condição médica real, numa altura em que se entende existirem agentes terapêuticos eficazes. Segundo o Barclays, a maior fatia dos benefícios reverterá a favor dos dois primeiros líderes: Novo Nordisk e Eli Lilly. A Figura 6 ilustra essa mesma previsão até ao ano de 2028, com dominância clara da farmacêutica dinamarquesa.




Figura 6 – Quota de mercado por fármaco em % vendas


Barclays Research




Como investir?

Invista nesta tendência através das seguintes alternativas selecionadas:


Invest Tendências Globais
Trend Saúde
Trend Vida Saudável
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