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Healthcare: uma visão mais optimista para 2024 Porquê investir?25-01-2024  15:39
  • investimento

Healthcare: uma visão mais optimista para 2024


Traduzido para cuidados de saúde, healthcare refere-se à actividade de prestação de serviços médicos, onde se incluem os esforços feitos por parte de profissionais formados e organizações para manter, restaurar ou promover o bem-estar físico, mental ou emocional de alguém. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como um sistema de saúde e de cuidados de saúde como um sistema constituído por todas as organizações, pessoas e acções cuja principal intenção é promover, restaurar ou manter a saúde. Isto inclui esforços para influenciar determinantes mais amplos da saúde, bem como actividades mais directas na melhoria de saúde. Um sistema de saúde é, por conseguinte, mais do que uma simples pirâmide de instalações de propriedade pública que prestam serviços pessoais de saúde.

Healthcare tem por base dar resposta às necessidades gerais de saúde que englobam uma vasta gama de factores: a prevenção de doenças, o diagnóstico, o tratamento e a educação para a saúde. A saúde pública, uma componente vital dos cuidados de saúde, centra-se na prevenção de problemas de saúde, no prolongamento da vida e na promoção do bem-estar de toda a população. Contribui também para a melhoria da saúde, ao abordar as desigualdades em matéria de saúde, ao abordar os determinantes sociais da saúde e ao centrar-se na prevenção. Cuidados de saúde de elevada qualidade são cruciais para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida. Finalmente e não menos importante, healthcare é considerado um direito basilar da Humanidade e desempenha um papel de destaque na garantia de que os indivíduos tenham a oportunidade de manter uma boa saúde e bem-estar.

Porque é que o conceito healthcare se tornou um tema tão indiscutível e fundamental? Em primeiro lugar, temos observado um notório aumento na esperança média de vida (EMV) mundial até aos dias de hoje. Na Europa, a esperança média de vida aumentou dos 62,8 anos em 1950 para 73,5 anos em 2000 com a expectativa de atingir os 83,8 anos em 2050, de acordo com as Nações Unidas. O destaque é a evolução na Ásia, com um aumento de quase 61% na EMV entre 1950 e 2000. No ano de 2050, os Estados Unidos liderarão com uma esperança média de vida de 84 anos (Figura 1).



Figura 1 – Esperança média de vida para ambos os sexos em 1950, 2000 e estimativa para 2050, por região


Fonte: Nações Unidas, Statista



Outro factor que ajuda a explicar a crescente importância do healthcare é o crescimento da população mundial. Porém, a sua relação é complexa e multifacetada. Naturalmente, à medida que a população cresce, a procura de produtos e serviços de saúde também aumenta, o que poderá levar a complicações na prestação de cuidados adequados a todos os indivíduos. De acordo com as Nações Unidas, foi atingido o marco dos 8.000 milhões de pessoas em 2022 e espera-se que seja atingida a meta dos 10.000 milhões no ano de 2055. É esperado que a taxa de crescimento populacional mundial passe a negativa em 2088 (Figura 2).



Figura 2 – Evolução e taxa de crescimento anual da população mundial, desde 1950, com estimativas até ao ano de 2100


Fonte: Nações Unidas, Statista



No contexto de constante evolução do sector, vários subsectores desempenham um papel fundamental na sua definição que contribuem, cada uma delas, para o funcionamento sustentável deste ecossistema:

   1. Pharma ou Biotech - engloba as empresas que se dedicam à produção de medicamentos, vacinas e outros produtos biotecnológicos;
   2. Health Tech - empresas de tecnologia da saúde que se concentram no desenvolvimento de ferramentas de information technology (IT) e software, concebidos para melhorar as operações hospitalares e fornecer novos conhecimentos sobre medicamentos e tratamentos, entre outros;
   3. Dispositivos médicos - inclui empresas que fabricam equipamentos e dispositivos médicos, desde material básico a maquinaria avançada;
   4. Prestadores de serviços - possuem e operam instalações de cuidados de saúde, incluindo hospitais, centros de reabilitação e lares de idosos (entre outros);
   5. Remunerador - inclui empresas de seguros de saúde ou entidades governamentais que processam a elegibilidade, a inscrição e os reembolsos dos doentes;
   6. Consultoria - fornecem conhecimentos especializados e aconselhamento a várias organizações e empresas;
   7. Health Finance - concentra actividades financeiras específicas do sector, tais como estruturação de capital, decisões de investimento e banca de investimento na área da saúde (por exemplo);
   8. Inovação e Empreendedorismo - promoção da inovação e do espírito empresarial.

São vários os factores que influenciam a despesa em healthcare. Naturalmente, um dos principais é o nível de rendimento. Em teoria, quanto maior for o rendimento per capita, maior será a despesa com a saúde e os países com um PIB elevado tendem a ter despesas de saúde mais elevadas e melhores resultados no domínio da saúde. Outros factores incluem a taxa de crescimento das despesas em healthcare, o consumo de serviços de saúde e bens médicos, concentração das despesas de saúde e características individuais (i.e. biologia, genética e prevalência de doenças). Por conseguinte, a despesa mundial com healthcare tem vindo a aumentar. Em 2022 a despesa total de saúde atingiu os 9,2% PIB para a média dos países da OCDE com os Estados Unidos perto de um rácio de 17% (Figura 3), registando uma variação de cerca de +105% face a 1980. Entre este ano e 2021, a média dos países da OCDE gastou 9,6% em proporção do seu PIB (Figura 4).


Figura 3 – (Cima) Despesa global com healthcare em proporção do PIB em 2022; (Baixo) Despesa global per capita, em USD, com healthcare em 2022



Fonte: OECD Health Statistics, WHO Global Health



Figura 4 – Evolução, entre 1980 e 2021, da despesa global com healthcare em proporção do PIB


Fonte: OECD Health Statistics



Através da Figura 4 conseguimos depreender um significativo aumento na despesa com healthcare entre 2019 e 2020, resultante da pandemia de COVID-19. De acordo com a OMS, em 2020, os governos aumentaram significativamente as suas despesas com a saúde, em todos os níveis de rendimento da sociedade, em resposta à pandemia. O impacto do vírus provocou uma procura sem precedentes nos sistemas de saúde, que requereu um financiamento público substancial e rápidas medidas de resposta. No ano seguinte verificou-se a expectável normalização.

Os Estados Unidos destacam-se como o país do mundo que mais gasta em healthcare. Do total gasto per capita em 2022 de cerca de 12.555 dólares, a OCDE estima que 85% é despendido pelo governo americano com os restantes 15% alocados ao agregado familiar (Figura 5). Numa perspectiva total da população americana, estes 12.555 dólares representam cerca de 4,3 triliões de dólares, com 3,6 triliões atribuídos ao gasto governamental. De acordo com a revista médica Lancet, até ao ano de 2040, espera-se que o gasto per capita aumente 63% para um total de cerca de 6,9 triliões de dólares. Os maiores aumentos deverão acontecer na China e na India, seguidos do Bangladesh (Figura 6).



Figura 5 – Decomposição da despesa global com healthcare, em USD, em 2022


Fonte: OECD Health Statistics

Legenda: "Government" - Governamental; "Voluntary" - Agregado familiar



Figura 6 – Decomposição da despesa global com healthcare, em USD, em 2014 versus estimativas para 2040


Fonte: The Lancet, The Economist

Legenda: "Government" - Governamental; "Pre-paid private" - Privado pré-pago; "Out-of-pocket" - Agregado familiar; "Development assistance" - Ajuda ao desenvolvimento



O que esperar do sector healthcare para 2024?

Na sequência do recente desempenho aquém das expectativas em 2023 (Figura 7), de acordo com as gestoras de activos Janus Henderson e Blackrock, este sector entra no novo ano com um Outlook muito atractivo. Durante grande parte do ano de 2023, o sector da saúde teve de suportar a ressaca da pandemia de COVID-19, visto que algumas empresas viram as suas receitas diminuir drasticamente após o fim do período de emergência na saúde pública. Por exemplo, a procura de diagnósticos e de materiais utilizados para fabricar vacinas diminuiu, resultando no excesso de inventário. Em 2023, algumas empresas preveem que as receitas relacionadas com soluções contra o COVID cairão em cerca de 80%. Tal desaceleração já era esperada. Muitas destas empresas ajustaram as suas estruturas de custos, o que deverá apoiar a expansão da margem de lucro este ano.



Figura 7 – Retornos do MSCI World Index no ano de 2023, em USD, e respectivos sectores


Fonte: Banco Invest, Bloomberg



Um desempenho aquém do esperado em 2023 pelo sector healthcare fez baixar as avaliações, não só destas empresas, como das de materiais, dispositivos e medicare. Para este último, nos Estados Unidos, a nova regulamentação reduziu as taxas de reembolso no Medicare Advantage (i.e. a versão privada do plano de saúde federal para os idosos) e reduziu as inscrições no Medicaid (i.e. que fornece cobertura de saúde para famílias com baixos rendimentos). O aumento dos custos de utilização constituiu outro desafio, tendo em conta que as pessoas voltaram a recorrer aos seus seguros de forma a “pôr em dia” os cuidados médicos de rotina.

A Reserva Federal prevê, pelo menos, três cortes de 25bp na taxa de juro directora para 2024 e, com o fim do ciclo de aumento das taxas de juro da FED, poderá emergir uma vantagem para o sector, mesmo num cenário de abrandamento económico (softlanding) ou possível recessão mais severa. De facto, o sector healthcare, historicamente em períodos semelhantes (Figura 8), em média, obteve retornos superiores ao índice MSCI World fruto da resiliência dos resultados das empresas.



Figura 8 – Variação relativa dos earnings em healthcare durante os períodos recessivos entre 1980 e 2020


Fonte: Blackrock, Refinitiv



Concluindo, a combinação das dinâmicas demográficas, a médio prazo, com a resiliência dos resultados destas empresas em períodos de maior incerteza macroeconómica, no curto prazo, faz com que o sector healthcare esteja muito bem posicionado para o ano de 2024. Adicionalmente, a prazo, o crescimento de resultados deverá ser potenciado por avanços médicos e tecnológicos, novos tratamentos e terapia e pela adopção da inteligência artificial pelas empesas do sector.



Redigido por:
Gonçalo Ormonde
Banco Invest
2024


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    [jp]00h50: Encomendas de Maquinaria (Fev)
    [cn]02h20: Decisão sobre as taxas de juro a 1 ano 
    [us]07h30: Discurso de Logan, membro da Fed
    [eu]10h00: Produção Industrial (Fev)
    [pt]11h00: Índices de Produção, Emprego, Remunerações na Construção (Fev)
    [pt]11h00: Actividade Turística Portugal (Fev)
    [pt]11h00: Actividade dos Transportes - Estatísticas rápidas do transporte aéreo (Fev)
    [eu]13h00: Discurso de Lane, membro do BCE
    [us]13h30: Empire Manufacturing (Abr)
    [us]13h30: Vendas a Retalho (Mar)
    [us]15h00: Inventários das Empresas (Fev)
    [us]15h00: Índice Mercado Imobiliário NAHB (Abr)
    [us]Resultados Empresariais: M&T Bank (AA), Charles Schwab (AA), Goldman Sachs (12h30)
     
  • 4
    16
    [cn]02h30: Preços das Casas Novas (Mar)
    [cn]03h00: PIB (1.º Tri)
    [cn]03h00: Produção Industrial (Mar)
    [cn]03h00: Taxa de Desemprego (Mar)
    [cn]03h00: Vendas a Retalho (Mar)
    [uk]07h00: Taxa de Desemprego (Fev)
    [de]10h00: Índice ZEW das Expectativas (Abr)
    [eu]10h00: Balança Comercial (Fev)
    [us]13h30: Licenças de Construção (Mar)
    [us]13h30: Casas em início de Construção (Mar)
    [us]14h15: Produção Industrial (Mar)
    [eu]Discursos de vários membros do BCE: Rehn (09h00), Villeroy (17h30) e Vujcic (19h00)
    [us]Discursos de vários membros da Fed: Daly (01h00) e Jefferson (14h00)
    [eu]Resultados Empresariais: Ericsson (06h00)
    [us]Resultados Empresariais: Bank of New York (11h30), PNC Financial (11h45), Johnson & Johnson (11h45), Bank of America (11h45), UnitedHealth Group (AA), Morgan Stanley (12h30), United Airlines (DF)
     
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Healthcare: uma visão mais optimista para 2024

jan 25, 2024, 15:39 by DSI Rita Neves
Porquê investir?

Healthcare: uma visão mais optimista para 2024


Traduzido para cuidados de saúde, healthcare refere-se à actividade de prestação de serviços médicos, onde se incluem os esforços feitos por parte de profissionais formados e organizações para manter, restaurar ou promover o bem-estar físico, mental ou emocional de alguém. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como um sistema de saúde e de cuidados de saúde como um sistema constituído por todas as organizações, pessoas e acções cuja principal intenção é promover, restaurar ou manter a saúde. Isto inclui esforços para influenciar determinantes mais amplos da saúde, bem como actividades mais directas na melhoria de saúde. Um sistema de saúde é, por conseguinte, mais do que uma simples pirâmide de instalações de propriedade pública que prestam serviços pessoais de saúde.

Healthcare tem por base dar resposta às necessidades gerais de saúde que englobam uma vasta gama de factores: a prevenção de doenças, o diagnóstico, o tratamento e a educação para a saúde. A saúde pública, uma componente vital dos cuidados de saúde, centra-se na prevenção de problemas de saúde, no prolongamento da vida e na promoção do bem-estar de toda a população. Contribui também para a melhoria da saúde, ao abordar as desigualdades em matéria de saúde, ao abordar os determinantes sociais da saúde e ao centrar-se na prevenção. Cuidados de saúde de elevada qualidade são cruciais para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida. Finalmente e não menos importante, healthcare é considerado um direito basilar da Humanidade e desempenha um papel de destaque na garantia de que os indivíduos tenham a oportunidade de manter uma boa saúde e bem-estar.

Porque é que o conceito healthcare se tornou um tema tão indiscutível e fundamental? Em primeiro lugar, temos observado um notório aumento na esperança média de vida (EMV) mundial até aos dias de hoje. Na Europa, a esperança média de vida aumentou dos 62,8 anos em 1950 para 73,5 anos em 2000 com a expectativa de atingir os 83,8 anos em 2050, de acordo com as Nações Unidas. O destaque é a evolução na Ásia, com um aumento de quase 61% na EMV entre 1950 e 2000. No ano de 2050, os Estados Unidos liderarão com uma esperança média de vida de 84 anos (Figura 1).



Figura 1 – Esperança média de vida para ambos os sexos em 1950, 2000 e estimativa para 2050, por região


Fonte: Nações Unidas, Statista



Outro factor que ajuda a explicar a crescente importância do healthcare é o crescimento da população mundial. Porém, a sua relação é complexa e multifacetada. Naturalmente, à medida que a população cresce, a procura de produtos e serviços de saúde também aumenta, o que poderá levar a complicações na prestação de cuidados adequados a todos os indivíduos. De acordo com as Nações Unidas, foi atingido o marco dos 8.000 milhões de pessoas em 2022 e espera-se que seja atingida a meta dos 10.000 milhões no ano de 2055. É esperado que a taxa de crescimento populacional mundial passe a negativa em 2088 (Figura 2).



Figura 2 – Evolução e taxa de crescimento anual da população mundial, desde 1950, com estimativas até ao ano de 2100


Fonte: Nações Unidas, Statista



No contexto de constante evolução do sector, vários subsectores desempenham um papel fundamental na sua definição que contribuem, cada uma delas, para o funcionamento sustentável deste ecossistema:

   1. Pharma ou Biotech - engloba as empresas que se dedicam à produção de medicamentos, vacinas e outros produtos biotecnológicos;
   2. Health Tech - empresas de tecnologia da saúde que se concentram no desenvolvimento de ferramentas de information technology (IT) e software, concebidos para melhorar as operações hospitalares e fornecer novos conhecimentos sobre medicamentos e tratamentos, entre outros;
   3. Dispositivos médicos - inclui empresas que fabricam equipamentos e dispositivos médicos, desde material básico a maquinaria avançada;
   4. Prestadores de serviços - possuem e operam instalações de cuidados de saúde, incluindo hospitais, centros de reabilitação e lares de idosos (entre outros);
   5. Remunerador - inclui empresas de seguros de saúde ou entidades governamentais que processam a elegibilidade, a inscrição e os reembolsos dos doentes;
   6. Consultoria - fornecem conhecimentos especializados e aconselhamento a várias organizações e empresas;
   7. Health Finance - concentra actividades financeiras específicas do sector, tais como estruturação de capital, decisões de investimento e banca de investimento na área da saúde (por exemplo);
   8. Inovação e Empreendedorismo - promoção da inovação e do espírito empresarial.

São vários os factores que influenciam a despesa em healthcare. Naturalmente, um dos principais é o nível de rendimento. Em teoria, quanto maior for o rendimento per capita, maior será a despesa com a saúde e os países com um PIB elevado tendem a ter despesas de saúde mais elevadas e melhores resultados no domínio da saúde. Outros factores incluem a taxa de crescimento das despesas em healthcare, o consumo de serviços de saúde e bens médicos, concentração das despesas de saúde e características individuais (i.e. biologia, genética e prevalência de doenças). Por conseguinte, a despesa mundial com healthcare tem vindo a aumentar. Em 2022 a despesa total de saúde atingiu os 9,2% PIB para a média dos países da OCDE com os Estados Unidos perto de um rácio de 17% (Figura 3), registando uma variação de cerca de +105% face a 1980. Entre este ano e 2021, a média dos países da OCDE gastou 9,6% em proporção do seu PIB (Figura 4).


Figura 3 – (Cima) Despesa global com healthcare em proporção do PIB em 2022; (Baixo) Despesa global per capita, em USD, com healthcare em 2022



Fonte: OECD Health Statistics, WHO Global Health



Figura 4 – Evolução, entre 1980 e 2021, da despesa global com healthcare em proporção do PIB


Fonte: OECD Health Statistics



Através da Figura 4 conseguimos depreender um significativo aumento na despesa com healthcare entre 2019 e 2020, resultante da pandemia de COVID-19. De acordo com a OMS, em 2020, os governos aumentaram significativamente as suas despesas com a saúde, em todos os níveis de rendimento da sociedade, em resposta à pandemia. O impacto do vírus provocou uma procura sem precedentes nos sistemas de saúde, que requereu um financiamento público substancial e rápidas medidas de resposta. No ano seguinte verificou-se a expectável normalização.

Os Estados Unidos destacam-se como o país do mundo que mais gasta em healthcare. Do total gasto per capita em 2022 de cerca de 12.555 dólares, a OCDE estima que 85% é despendido pelo governo americano com os restantes 15% alocados ao agregado familiar (Figura 5). Numa perspectiva total da população americana, estes 12.555 dólares representam cerca de 4,3 triliões de dólares, com 3,6 triliões atribuídos ao gasto governamental. De acordo com a revista médica Lancet, até ao ano de 2040, espera-se que o gasto per capita aumente 63% para um total de cerca de 6,9 triliões de dólares. Os maiores aumentos deverão acontecer na China e na India, seguidos do Bangladesh (Figura 6).



Figura 5 – Decomposição da despesa global com healthcare, em USD, em 2022


Fonte: OECD Health Statistics

Legenda: "Government" - Governamental; "Voluntary" - Agregado familiar



Figura 6 – Decomposição da despesa global com healthcare, em USD, em 2014 versus estimativas para 2040


Fonte: The Lancet, The Economist

Legenda: "Government" - Governamental; "Pre-paid private" - Privado pré-pago; "Out-of-pocket" - Agregado familiar; "Development assistance" - Ajuda ao desenvolvimento



O que esperar do sector healthcare para 2024?

Na sequência do recente desempenho aquém das expectativas em 2023 (Figura 7), de acordo com as gestoras de activos Janus Henderson e Blackrock, este sector entra no novo ano com um Outlook muito atractivo. Durante grande parte do ano de 2023, o sector da saúde teve de suportar a ressaca da pandemia de COVID-19, visto que algumas empresas viram as suas receitas diminuir drasticamente após o fim do período de emergência na saúde pública. Por exemplo, a procura de diagnósticos e de materiais utilizados para fabricar vacinas diminuiu, resultando no excesso de inventário. Em 2023, algumas empresas preveem que as receitas relacionadas com soluções contra o COVID cairão em cerca de 80%. Tal desaceleração já era esperada. Muitas destas empresas ajustaram as suas estruturas de custos, o que deverá apoiar a expansão da margem de lucro este ano.



Figura 7 – Retornos do MSCI World Index no ano de 2023, em USD, e respectivos sectores


Fonte: Banco Invest, Bloomberg



Um desempenho aquém do esperado em 2023 pelo sector healthcare fez baixar as avaliações, não só destas empresas, como das de materiais, dispositivos e medicare. Para este último, nos Estados Unidos, a nova regulamentação reduziu as taxas de reembolso no Medicare Advantage (i.e. a versão privada do plano de saúde federal para os idosos) e reduziu as inscrições no Medicaid (i.e. que fornece cobertura de saúde para famílias com baixos rendimentos). O aumento dos custos de utilização constituiu outro desafio, tendo em conta que as pessoas voltaram a recorrer aos seus seguros de forma a “pôr em dia” os cuidados médicos de rotina.

A Reserva Federal prevê, pelo menos, três cortes de 25bp na taxa de juro directora para 2024 e, com o fim do ciclo de aumento das taxas de juro da FED, poderá emergir uma vantagem para o sector, mesmo num cenário de abrandamento económico (softlanding) ou possível recessão mais severa. De facto, o sector healthcare, historicamente em períodos semelhantes (Figura 8), em média, obteve retornos superiores ao índice MSCI World fruto da resiliência dos resultados das empresas.



Figura 8 – Variação relativa dos earnings em healthcare durante os períodos recessivos entre 1980 e 2020


Fonte: Blackrock, Refinitiv



Concluindo, a combinação das dinâmicas demográficas, a médio prazo, com a resiliência dos resultados destas empresas em períodos de maior incerteza macroeconómica, no curto prazo, faz com que o sector healthcare esteja muito bem posicionado para o ano de 2024. Adicionalmente, a prazo, o crescimento de resultados deverá ser potenciado por avanços médicos e tecnológicos, novos tratamentos e terapia e pela adopção da inteligência artificial pelas empesas do sector.



Redigido por:
Gonçalo Ormonde
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